segunda-feira, 26 de abril de 2021

domingo, 28 de junho de 2020

Homens. Masculinidades. Sexualidade. (Parte 1)



A sociedade passa-nos a ideia de que ser um “homem de verdade” está associada à força, dominação, virilidade, auto-controlo, tolerância à dor, etc. São esses e mais conceitos que são transferidos para o campo das relações afectivas e sexuais também. Isso faz com que vivenciemos a masculinidade de uma forma hermética e rígida.

O homem muitas vezes acredita que não pode ser sensível, algo que se revela uma armadilha, já que ser sensível significa capacidade de sentir e é o que precisamos para sentir prazer, entre outras coisas.
Frequentemente acreditamos que como homens, temos de ter sempre iniciativa quando se trata de se envolver tanto romântica como sexualmente com os outros. Aprendemos que se não formos caçadores e não conquistarmos, não somos homens suficientes. A própria palavra conquistar, já pressupõe algum tipo de dominação ou subjugação do outro, geralmente sobre, mas não limitado a, uma mulher. Isso passa uma ideia errada de que ser “homem de verdade” é conquistar e dominar.


Sempre que escravizamos, tornámo-nos escravos das nossas acções e decisões. Por conta de ser ideias de masculinidade ligadas à opressão própria e de outrem, que portanto faz mal a todos, vou utilizar o termo cada vez mais conhecido: masculinidade tóxica.

O que à partida parece ser um desafio agradável ou uma aventura, acaba por tornar-se uma grande pressão sobre os homens para provar a sua masculinidade, mesmo para quem não se identifica com a ideia de dominar. A ironia é que achamos que ser hipermasculinizados nos torna forte, mas a verdade é que nos sentimos constantemente impelidos a defender a nossa masculinidade. Por que é que algo tão forte precisa ser constantemente protegido?

No campo da sexualidade, aprendemos desde cedo que a única forma correcta e aceitável de um homem viver a sua sexualidade é ser heterossexual e de preferência hipermasculinizado, que é ao mesmo tempo um conquistador por excelência e que está sempre pronto para o sexo com várias mulheres ou pelo menos com o máximo de mulheres possível.

Neste contexto, o sexo entende-se como e reduz-se à penetração vaginal ou anal com o pénis sempre erecto e de preferência durando o máximo de tempo possível. Isso representa uma pressão muito grande sobre os homens, que começam a acreditar que são inferiores a outros ou que têm algum problema sério caso não se enquadrem nas seguintes características:

·      *  Um pénis grande e grosso – muitos homens têm uma ideia distorcida do tamanho do próprio pénis e muitos consideram-no demasiado curto, mesmo sem terem bases reais de comparação;
·   *  Vontade de ter sexo o tempo todo;
·   * Vontade de conquistar várias mulheres, especialmente as que são consideradas atraentes
·   * Erecção contínua ao mínimo estímulo ou durante qualquer contacto sexual
·   *  Desejo sexual elevado, de um modo geral
·  *  Ser heterossexual, ou seja, atrair-se pelo sexo oposto
·  *  Capacidade de satisfazer sexualmente a parceira ou parceiro
·  *  Gosto por pornografia
·   *  Etc

Por outro, os homens pensam geralmente que têm algum problema se uma ou mais das afirmações seguintes constitui a verdade:
·     * Se têm um impulso sexual baixo
·     *  Se sofrem de alguma disfunção sexual, tais como, ejaculação precoce ou disfunção eréctil
·     *  Se sentem atracção física por outros homens, homens e mulheres ou por nenhum dos géneros
·    * Ou se de alguma forma não vão de encontro ao que aprenderam na família, com os amigos ou na sociedade no geral.

Algumas consequências da masculinidade tóxica para os homens
* *   Sentimentos de desajuste em relação às expectativas próprias e as dos outros. Sentir-se longe de ser o homem ideal;
· *   Nervosismo durante a relação sexual, o que causa ou agrava questões como a ejaculação precoce e outras disfunções, visto que muitas delas podem ter origem mental ou emocional e não necessariamente fisiológica.
·  *  Auto-cobrança e cobrança aos outros homens para se encaixarem em ideias artificiais;
·  *  Medo de comunicar quando têm dúvidas ou inseguranças sobre o campo sexual
·   *  Medo de não ser considerado homem por parte dos outros homens e até das mulheres
· * Por tudo isso, é comum haver sentimentos de solidão, ansiedade, depressão, insegurança, alienação, revolta, auto-rejeição, etc.

    Para evitar isso é preciso haver um (re)educação sobre masculinidades e sexualidade. Desse modo, o homem pode tornar-se dono de si mesmo e não refém do seu corpo, mente e emoções.


s   (continuará)

  Luís Paulo (Akshar)
  Instagram: @akshar_tantra
  Youtube e Facebook: Anand Akshar
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020


Desmistificando o Tantra

Se eu tentasse descrever o Tantra, começaria por dizer que é algo que não cabe numa descrição ou definição. O Tantra é o que está antes e depois das palavras: as vivências em si, ou melhor, a vida em si. No meu ponto de vista Tantra não é um sistema nem um modo de ideias e pensamentos, mas sim um modo de viver. Não é teoria, mas sim prática.

O Tantra existe há milénios e está a ganhar novamente mais espaço e aceitação pelas pessoas como caminho e abordagem. As práticas actuais de Tantra são conhecidas por alguns como neo-tantra.
As pessoas associam o Tantra ao sexo com frequência, porque o Tantra é uma das únicas abordagens espirituais que encaram a vida com naturalidade e tudo que dela faz parte. O sexo não é, portanto, uma excepção, visto especialmente que é o que dá origem à vida. No Tantra não há divisão entre o sagrado e o profano.

O corpo é tão sagrado quanto o espírito e a escuridão tão necessária quanto a luz. É nas aparentes dualidades que se encontra a unicidade, o uno, o indivisível. Por esse motivo, o Tantra não é per se pró-sexo, da mesma maneira que não é contra o sexo. É simplesmente afirmador da vida em toda a sua inteireza.

O Tantra baseia-se na consciência, aceitação e no amor. E que não se confunda consciência com moralidade, aceitação com resignação e nem amor como romance. Aqui fala-se de consciência pura e plena, aceitação da realidade como ela é e não como gostaríamos que fosse e amor como energia e qualidade superior que cura e nutre tudo e todos.

No meu ponto de vista, tudo que é feito com esses três preceitos é tântrico. Mais do que “o quê?”, a pergunta seria “como”. Não é a acção em si que é certa ou errada, mas sim a forma como ela é feita que faz toda a diferença. Portanto, o acto sexual pode ser tântrico, mas também pode ser tântrico o acto de limpar a casa ou realizar qualquer outra tarefa.

Porque então viver com consciência, aceitação e amor? A consciência permite-nos viver intencionalmente e responder às situações da vida com inteligência à medida que elas vão se apresentando. A aceitação verdadeira e positiva da vida não é o mesmo que resignar-se em impotência, mas sim entrar voluntariamente em uníssono com o fluxo da vida e o amor é, em última instância, tudo o que buscamos sob diversas formas.

A partir daí vemos que o Tantra não é uma mera ferramenta para proporcionar melhor desempenho sexual, mas sim a arte de transformar qualquer acto em algo sagrado e de nos curar e nos tornar íntegros, tendo em vista que só através do amor e da aceitação podemos acolher as partes de nós que julgamos, rejeitamos ou condenamos.

Aprendemos na sociedade que partes de nós são menos dignas, vergonhosas ou problemáticas, quando na verdade nós somos a combinação de todos os elementos que nos compõem. Com o Tantra temos a chance de reintegramos o que está disperso e ferido em nós; a chance de sermos nós mesmos e nos amarmos por isso.

L.P. Akshar Almeida

Youtube: Anand Akshar
Instagram: @akshar_tantra


domingo, 21 de abril de 2019

Se eu te contasse, não acreditarias



Se eu te contassem não acreditarias...

Eu gostaria de te contar algo sobre ti mesm@, mas provavelmente se eu te contasse não acreditarias.

Se eu te dissesse que dentro de ti há um poço infinito de energia, de amor, de alegria e de compaixão, provavelmente não acreditarias em mim.

Provavelmente dirias que dentro de ti não há mais do que ossos e sangue e músculos e se calhar alguns órgãos. Provavelmente dirias que estou maluco, ou que é algo imaginário, infantil ou ainda fantasioso.


Se eu te contasse que dentro de ti há uma fonte infinita de energia, que as coisas que tu podes experimentar dentro de ti são muito maiores do que alguma vez poderias sonhar, do que alguma vez poderias descobrir no mundo externo, provavelmente discutiríamos sem fim.

Provavelmente estarias tão decidid@ a contestar aquilo que eu contaria, que não te darias a chance de olhar para dentro e de experimentar esta felicidade, esta paz, este amor que está a todo o custo a tentar brotar de dentro de ti, para que pudesses sentir isso a todo o momento e para que pudesses partilhar com os outros.

Se eu te contasse que és o teu melhor inimigo e o teu pior amigo e que podes ser o teu melhor amigo e pior inimigo, provavelmente não acreditarias em mim porque tu achas que o amor só pode vir de fora. Dos teus pais, dos teus filhos, dos teus amigos, dos teus irmãos, do teu namorado ou namorada e esqueces que tu também és filho ou pai ou irmão ou irmã ou namorado ou namorada e que nesse caso, também podes dar esse amor que tu também sentes a ti mesm@, e és o teu pior inimigo porque és a pessoa que mais te condena, mais cobra de ti, a pessoa que mais critica e julga e que mais te quer mudar e quer deixar de ser quem és.

Se eu te dissesse que a responsabilidade das tuas decisões é tua e que aquilo que te acontece é produto daquilo que tu própri@ crias e atrais, provavelmente não acreditarias em mim e dirias que eu não consigo perceber a tua dor e que eu não vivi aquilo que tu viveste; que na verdade a culpa não é tua, mas sim dos outros, se eu te dissesse que tens o poder de mudar a forma como tu interpretas os eventos a todo o momento, provavelmente não acreditarias em mim.

Se eu te dissesse que estás a um passo da tua maior alegria, do teu maior amor, daquilo que não pode ser destruído, tu não acreditarias em mim e é por isso que eu não te digo, e é por isso que eu te deixo continuar a pensar o que tu pensas que te faz bem, porque se eu te dissesse outra coisa, não acreditarias em mim.


LP Akshar Almeida
Insta: @akshar_tantra

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Descobrindo que sou fogo!

E o fogo tem o calor e a paixão necessárias para dar conforto e vida. Aquece quem precisa de calor e ilumina quem está no escuro.


É óbvio que incomoda quem quer permanecer no escuro e quem prefere reclamar do frio.
Podes usá-lo para aqueceres a tua água, comida e até o teu coração, mas se quiseres brincar mal com o fogo ou desafiar a sua força, qualquer criança que já tenha se aproximado de um fogão acesso, diz-te o que acontece.

O fogo tem uma aparência bela e inocente, até um magnetismo inexplicável, mas a sua intensidade é na proporção que tu mereces.

Então, não confundas a aparência aparentemente inofensiva do fogo com a incapacidade de queimar. Aproveita, em vez disso, o fogo para purificares as tuas impurezas e iluminares os teus cantos escuros.

O fogo é símbolo de elevação. Se te aproximares no espírito certo, é provável que tenhas melhores resultados.

Aprendendo que o poder criador e destruidor são ambos e importantes e complementares.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Dá Ouvidos ao Chamamento

O chamamento está aí. Aí onde tu estás.
O chamamento está aqui. Tu estás aqui.
A tua mente pode estar no passado ou no futuro,
Mas tu – o ser – estás aqui e agora.

O chamamento vem através do teu coração,
Nos momentos de silêncio e espontaneidade.
Vem através das pessoas que cruzam o teu caminho
Que vão te trazendo sorrisos e lágrimas.
Vem através dos livros, músicas, amigos e ancestrais,
Vem em tempos de paz e vem em temporais.

O chamamento não chega a chegar e nem acaba por findar,
Porque é o que tu és. Só não o consegues ver, ouvir e nem sentir,
Porque estás preocupado com tudo menos a tua essência.
Acreditas cegamente que sempre te podes adiar.

O chamamento diz: acorda, mas tu pensas “eu já sei tudo o que preciso”.
O chamamento roga: desperta, mas tu sentes que não consegues.
O chamamento grita: é hora, mas tu dizes que ainda precisas de te realizar,
Esquecendo que ele te chama para a tua própria realização.

Tudo o que desejas é o que não tem nome, mas o substituis por coisas nomináveis,
Que no fundo sabes que não te trarão a paz que procuras.
O dinheiro, as posses e o reconhecimento alheio são tentativas lastimáveis
E substitutos inadequados daquilo que é na verdade teu, porque é na verdade TU.

O chamamento aparece em forma de uma música que te toca, ou duma voz que te inspira,
Que no fundo não passa de um reflexo da tua voz interior, que aprendeste tão bem a abafar.
Não é à toa que passas os dias em ansiedade, desespero, angústia e ira,
Quando és dono(a) de um tesouro sem preço que podes vender e dar.

O chamamento pede: chega perto, mas tu pensas que sempre terás tempo amanhã,
Quando o amanhã é criado por ti, diferente da vida que vai se esvaindo pelos teus dedos
A cada batida do teu coração, coração esse que te tenta contar os segredos mais profundos
Da existência, mas cuja língua desaprendeste de falar por conta dos teus medos.

O chamamento lembra: o tempo é este e o espaço também.
O sonho pode estar a embalar-te ou o pesadelo a assustar-te,
Em todo o caso, a realidade para a qual vais despertar se ouvires ao chamamento,
Vai te preencher daquilo que mais procuras, para que possas, por tua vez,
passar a chama do chamamento além, o que aquecerá os corações perdidos no tempo.

O chamamento é infinito e imparável, ele continuará a espreitar em cada sorriso que vires,
Em cada olhar penetrante que te aparecer e em cada gesto de amor que testemunhares.

O chamamento clama por ti. Ouve a tua voz interior!

Escrito por: LP Akshar Almeida
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domingo, 30 de julho de 2017

Perdoa(-te)!




Perdoa-o por não ter estado presente.
Perdoa-a por ter sido negligente.
Perdoa-o por ter agido de forma inconsciente.
Perdoa-a por não ter dito coisas diferentes.

Perdoa-os pela maldade, pois não sabiam o que faziam
Perdoa-as pela exclusão e por tudo que não te permitiram
Perdoa-os por se terem afastado sem explicações
Perdoa-as por terem crescido sem hesitações

Perdoa-o por não sentir o mesmo que tu
Perdoa-a pelas falhas e perdoa-a por tudo

Por favor, perdoa-os porque o SEU perdão é o TEU perdão
Acima de tudo perdoa-Te porque o Teu perdão é para o Teu coração
Perdoa-te por esperares dos outros o que não te podem dar
Perdoa-te por exigires de ti o que não podes aguentar

Perdoa-te sem reservas e sem demora
Perdoa-te por sentires vergonha de não perdoares
Perdoa-te porque a mágoa tem de ir embora
Perdoa-te, pois tens que perdoar para te doares

Perdoa a todos que não te entendem
Eles só conseguem o que conseguem
Perdoa a todos que não te apoiam
Eles incentivam-te a descobrires a tua força
Perdoa-os porque eles são TU e perdoa-te por esqueceres disso.
Perdoa-te porque é com o Amor que deves ter compromisso.
Perdoa-os, perdoa-me, perdoa-te!
Perdoa-os porque precisam
Perdoa-me por te pedires que perdoes
Perdoa-te por nem sempre perdoar.

O perdão vai te libertar-te e curar.


(LP Akshar Almeida)

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quarta-feira, 31 de maio de 2017

A Bela e Árdua Arte de Deixar Ir

Estamos cansados de ouvir que a única constante é a mudança. Não importa onde estamos, ou em que época estamos, algo se mantém imutável: o facto de as coisas estarem sempre em mudança.
Independentemente das crenças ou do grau de informação e formação de cada um, todos conseguimos ver que as coisas estão sempre a mudar. É só olharmos para o dia que se transforma em noite, que por sua vez, se transforma em dia e assim sucessivamente.
Ainda assim, face à óbvia realidade da impermanência, teimamos em querer que algumas coisas sejam para sempre. Isto deve-se à nossa mente dualista que desde sempre tem sido programada a desejar umas coisas e a ter aversão a outras. Somos treinados a dividir tudo que existe em duas categorias – bem e mal – e é exactamente essa a fonte do nosso apego e sofrimento.
Se tomarmos como exemplo o dia e a noite e se supusermos que metade das pessoas desejasse sempre que o dia durasse para sempre e a outra metade desejasse que a noite nunca terminasse, em primeiro lugar acharíamos isso absurdo e em segundo lugar viríamos que ou metade das pessoas estaria em sofrimento constante se o pedido de uns fosse aceito ou que todas as pessoas sofreriam metade do tempo, visto que a vida tem as suas próprias leis e não segue as preferências de ninguém.
Este segundo caso é o mais aproximado à nossa realidade quotidiana. A maior parte das pessoas sofre durante a metade do tempo porque a vida continua a trazê-las coisas que não são a sua preferência e continua a retirar-lhes coisas que elas queriam que permanecessem para sempre.
O exemplo do dia e da noite é extremamente básico, porém elucidativo. Se achas que faz sentido, mas que não se aplica a ti, só precisas pensar nos relacionamentos que insistes em manter na tua vida, mesmo os que já não te fazem bem, nem contribuem para o teu bem-estar ou crescimento pessoal. Esses relacionamentos podem ter sido de grande importância para ti durante muito tempo e por isso estás eternamente grato a essas pessoas. Isso é perfeitamente justo e lógico, mas olha para eles de novo; alguns deles já perderam a sua essência e propósito originais. Alguns deles até mesmo já se tornaram tóxicos e nocivos à tua paz de espírito e bem-estar interior.
Sim, é natural que haja tristeza no momento de mudança. Sim, é natural que tenhas pena que as coisas já não sejam como um dia foram. Sim, é natural que desejes que as coisas sejam diferentes. Contudo, não é assim que a vida é. Há algumas leis pelas quais o universo se rege e uma delas é a da impermanência. Todas as coisas passam.
Mas espera aí! Não precisas ficar desencorajado(a). Isso não tem de ser uma coisa má. Tudo depende da maneira como tu encaras as coisas. Imagina se tivesses uma dor de cabeça que nunca mais passasse? Imagina que estivesses numa situação desagradável para sempre? Exactamente! O problema não é a impermanência ou a mudança. O problema é o desejo da mente, até certo ponto natural, mas absurdo, de que algumas coisas durem para sempre e algumas não.
O problema está no facto de querermos mudar as leis da vida e acabarmos sempre frustrados e em sofrimentos ainda maiores. Portanto, olha mais uma vez para a tua vida, para as tuas relações, para as situações e vais te aperceber ou recordar que as coisas estão sempre em mudança; que não adianta tentar mudar a realidade, não adianta nadar contra a corrente, mas adianta sim mudar a forma como encaramos a impermanência, isto é, com aceitação, com paz, com graciosidade.
Os místicos dizem que a própria vida é uma grande preparação para a morte. A arte de viver é, em outras palavras, a arte de aprender a morrer. Por mais sombrio que isto possa soar, esta é na verdade uma das coisas mais belas que podemos imaginar. Se tivermos a humildade suficiente, veremos que as nossas vidas não estão inteiramente nas nossas mãos, parte dela é e sempre será um mistério e fora do nosso controle. Se vivermos a nossa vida com totalidade, consciência, aceitação e com a arte de deixar ir, quando o momento da nossa morte chegar, certamente vamos ser capazes de deixar a própria vida ir-se e nos dirigirmos ao novo mistério, que é a morte, com elegância e paz.
O facto de aceitarmos que as coisas devem e vão sempre mudar só beneficia a nós próprios. É um passo difícil no início e até mesmo durante todo o processo de aprendizado ao longo da nossa jornada, mas vale sempre a pena. A arte de deixar ir, como qualquer outra arte, deve ser cultivada, praticada e aperfeiçoada a cada dia. Como qualquer arte, requer muita entrega e dedicação, mas como qualquer arte é algo bonito de se experimentar e observar quando está no ponto certo.
Por isso, vive cada momento com intensidade, com todo o teu ser e quando chegar a altura, deixa ir. Chora se necessário, sorri se possível. Agradece pelo que foi bom e pelas lições que as coisas menos boas trouxeram. Em todo o caso, sê sempre um(a) artista e refina a cada dia a bela e, por vezes, árdua Arte de Deixar Ir.

LP Akshar Almeida
youtube.com/c/anandakshar

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Por que magoamos até quem mais amamos?

Como seres sociais, nós temos a necessidade de conviver com os outros. Uns mais e outros menos. No entanto, todos – absolutamente todos –  temos uma necessidade intrínseca de ligação – seja com o universo, com os outros seres ou simplesmente com o nosso interior.

Não só gostamos, como também PRECISAMOS de ser ouvidos, entendidos e amados. De modo a existir um equilíbrio, a vida garantiu que essa necessidade existisse nas duas direcções, isto é, precisamos igualmente de escutar os outros, entendê-los e mais fundamentalmente: AMÁ-LOS.

Se todos queremos amar e ser amados, ouvir e ser ouvidos, por que então há tanto desentendimento e conflitos entre as pessoas, especialmente entre as pessoas mais próximas e que mais se amam? Por que magoamos os que mais queremos bem e o mesmo nos é feito por eles?

A explicação que eu encontro não tem a ver com o facto de sermos más pessoas, mas sim com a necessidade intrínseca que temos de partilhar quem nós somos e o facto de o fazermos de forma inconsciente. De acordo com a lei da vida, só podemos partilhar aquilo que nós somos ou temos. Se consegues perceber que só podes partilhar um objecto se o tiveres, deves compreender que o mesmo se aplica aos sentimentos.

Em outras palavras, quando nos sentimos mal, temos a NECESSIDADE de expressar isso de alguma forma e de sermos percebidos, não apenas teoricamente, mas a um nível mais profundo. Isso leva-nos muitas vezes a fazer INCONSCIENTEMENTE com que o próximo se sinta mal, para que ele possa também “partilhar” daquilo que eu sinto.



Isso acontece ainda mais especialmente quando assumimos que o outro é o “causador” desse mal-estar em nós. Não por um sentido malicioso de vingança, mas sim por um sentido deturpado de justiça, queremos – muitas vezes inconscientemente – que a pessoa sinta o que nós sentimos. Isto é comum em situações em que nos sentimos injustiçados, revoltados, tristes, magoados, manipulados, etc.

Por exemplo, senti-me triste porque alguém que eu amo tratou-me mal e mesmo sem querer admitir, quero que a pessoa se sinta no mínimo triste como eu, para que possa “aprender a lição” e não repetir aquilo que eu percebo como erro. Infelizmente, inconsciência só gera mais inconsciência, e conflitos mais conflitos, o que cria um ciclo vicioso de negatividade que, por sua vez, contribui ainda mais para o desentendimento e mal-estar. Ao querermos “ensinar uma lição” à pessoa, acabamos criando nela o mesmo sentimento de mágoa e injustiça que ela vai querer “partilhar” connosco na primeira oportunidade que surgir.

Portanto, cabe a MIM assumir a responsabilidade pela forma como me sinto. Se alguma coisa ou pessoa me fez sentir mal, na verdade ela foi apenas um PRETEXTO para que a minha ferida interna fosse acordada. Parece absurdo agradecer alguém por aparentemente nos prejudicar, mas a vida escolheu aquela pessoa ou circunstância para nos ajudar a reconhecer os pontos escuros da nossa alma e trazê-los à luz. Daí que é melhor reagir à situação com gratidão ao invés de retaliação.

Sim, é algo doloroso muitas vezes. Sim, é natural que a nossa primeira tendência seja procurarmos um culpado pelo nosso mal-estar – e acredita, há sempre alguém ou alguma coisa que pode ser usado pela mente como o culpado – mas o mais IMPORTANTE é reconheceres que o que está dentro de ti NÃO te é dado ou tirado pelos outros e que o ÚNICO responsável pela maneira como respondes às situações e às pessoas na tua vida ÉS TU mesmo(a).

Atenção, esta é uma óptima notícia, pois apesar de parecer assustador e até inacreditável no começo, quando aprenderes a assumir total responsabilidade pela maneira como te sentes, vais gozar de uma liberdade jamais conhecida. Assim, poderás quase sempre escolher CONSCIENTEMENTE como responder a situações e pessoas pouco favoráveis da forma mais benéfica possível e acima de tudo, por mais difícil que possa soar, podes escolher sempre a felicidade e a harmonia.

Um outro segredo para contornarmos e transformarmos o mal-estar causado por alguém que amamos, é ganharmos coragem de dizermos exactamente aquilo que as acções ou palavras da pessoa nos fizeram sentir, sem no entanto, acusarmos o outro de seja o que for.

Dizemos COMO nos sentimos e não DE QUE a outra pessoa é supostamente culpada. Desta forma, há mais chances da outra pessoa não ficar na defensiva e com sorte reconhecer o que causou (muitas vezes sem querer) em nós e com ainda mais sorte, mudar o comportamento voluntariamente.


Isso fará com que as relações que realmente importam nas nossas vidas melhorem em termos de qualidade e sempre que isso não for possível, podemos procurar outras relações que nos ajudem a crescer e a amar. 

Por: LP Akshar Almeida

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O teu Corpo é o Primeiro Degrau na Escada para o teu Ser


escadote dourado

Há quem considera o corpo humano uma mera máquina biológica enquanto que outros o vêem como a “residência” da nossa alma. Em todo o caso, a importância imensurável do nosso corpo para a nossa experiência de vida é reconhecida pela maior parte de nós. Apesar disso e espantosamente, a maior parte de nós não conhece realmente o seu corpo para além do que vê reflectido no espelho ou daquilo que consegue tocar na superfície ou ainda simplesmente pelo peso do mesmo que vai arrastando pela sua jornada nesta vida.
O teu corpo físico é o teu veículo. É algo belo e perfeito. Um sistema complexo de vários sub-sistemas que funcionam com uma precisão e sincronia impressionantes. É através dele que consegues ter as experiências dos sentidos e experimentas tanto sensações de prazer como as de dor.
O teu corpo é o teu templo sagrado. Ele esconde os segredos do universo, replicados em miniatura. Ele é tanto o veículo que te leva até aos segredos como a própria porta de entrada. O teu corpo é o elo que te torna uno com a terra onde habitas.
O teu corpo tem trabalhado toda a tua vida para te proteger e te ajudar a chegares mais perto da tua verdadeira essência. Protege-te quando te alerta de um perigo através da dor; quando cicatriza as feridas que ganhas dos obstáculos da vida e quando adoeces para poderes reavaliar as tuas escolhas e decisões e realinhar-te com a tua verdade pessoal e universal. Ajuda-te quando te dá sinais e indicações sobre o teu caminho através de emoções, que são criadas em consonância com a mente.
O teu corpo está do teu lado. Ele permite que te locomovas para onde decidires e que possas experimentar o mundo físico e o metafísico. Está sempre às ordens, pronto para te transportar para dentro ou para fora.
O teu corpo só quer ser amado. Ele quer que te esqueças de padrões de beleza e perfeição impostos do exterior por pessoas que não aprenderam a amar os seus próprios corpos e as diferenças deste universo colorido e multifacetado. Ele quer que reconheças o quão belo e perfeito ele é, basta que tu aprendas a olhar para ele com olhos puros e inocentes para te aperceberes que não podias ter um corpo mais adequado a ti.
O teu corpo é o teu melhor amigo e pede que tu também sejas o seu melhor amigoao te alimentares de forma saudável, ao lhe proporcionares aquela actividade física básica e regular para o qual foi desenhado, ao descansares para que ele possa te curar enquanto ele se cura. O teu corpo é o teu fiel servo e o teu bem mais precioso nesta vida.
Ele dá-te prazer, enraizamento, forma à tua energia pura, a possibilidade de um abraço, de uma dança espontânea de olhos fechados e da prenda de observares a mudança do teu ser aqui e agora.
Cuida do teu corpo que cuidarás também da tua alma. Ama o teu corpo, que só através dele poderás aprender a amar-te com as tuas qualidades e defeitos mais subtis. Aceita o teu corpo assim como é pois ele é uma prenda do universo que podes desembrulhar a cada dia da tua vida e que prova o quão único e especial tu és.
No entanto, amor-próprio NÃO é o mesmo que narcisismo. Não te tornes obcecado pelo teu corpo e lembra-te que ele é apenas o veículo e que há algo maior a ser transportado. Lembra-te que ele é apenas o templo e que há algo divino que o habita. Não te apegues a ele, que ele tem o seu tempo contado na existência e não há nada de errado nisso. Desfruta-o e deixa-o ir.
Sê natural com ele, que ele é parte da natureza. Afasta-te de tudo que é artificial, químico, plástico, manipulado e modificado. Esquece todas as repressões que te foram impostas em relação ao corpo que ele vai voltar a funcionar harmoniosamente. O corpo natural com todas as suas funções de circulação, respiração, excreção é perfeito. Com todos os aromas e odores, é perfeito. Com todas as curvas e cantos, é perfeito. Com todas as cicatrizes e marcas, é perfeito.
Quando começares a ouvir o teu corpo e a mostrar que estás do seu lado, ele não vai mais precisar de falar contigo através de desconfortos e doenças. O teu corpo é o primeiro degrau numa escadaria dourada que te leva na direcção do teu verdadeiro ser. Usa-o com consciência!

Por: LP Akshar Almeida

terça-feira, 19 de julho de 2016

Por quê estou com tanta raiva?

Porque por muito tempo não me permiti sentir raiva por medo de desaprovação dos outros.
Porque a desaprovação é que me desperta sentimentos de raiva em mim, para início de conversa.
Porque vivemos numa sociedade doentia em que as emoções e os sentimentos não têm espaço, mas sim as normas e regras estúpidas e limitadoras.
Porque não aguento mais com tanta hipocrisia e falsidade nas pessoas.
Porque não consigo perceber, nem tolerar tanta intolerância e ódio que mostramos uns pelos outros.
Porque me apercebo do paradoxo desta última frase e da própria vida em si.
Porque a minha raiva é desencorajada, desvalorizada e desconsiderada pelos que mais estimo.
Porque as pessoas acham normal que haja tanto ódio e que se sintem chocadas quando alguém pensa diferente.
Porque fomos tão condicionados a tornarmo-nos pequenos para agradar a todos menos a nós mesmos.
Porque as pessoas já esperam o pior umas das outras e se surpreendem quando alguém tem esperança.
Porque me sinto que não tenho a permissão de ser eu mesmo, a não ser a que dou a mim mesmo e às vezes não chega.
Porque todo o mundo está a tentar mudar todo mundo e estamos todos infelizes por conta disso.
Porque temos uma atitude derrotista em relação à vida e não usamos muito o nosso potencial criativo e a força do amor.
Porque somos uma espécie que cospe promessas de apoio incondicional e que quando mais precisamos, a promessa já foi esquecida.
Porque quase todo o mundo está à espera que alguém mude as coisas e quase ninguém vê que a mudança está nas suas mãos.
Porque perdemos a capacidade de empatizar com os outros e de sentir o que sentem.
Porque agimos inconscientemente partindo os corações uns dos outros.
Porque tentamos consertar o outro e não abraçá-lo.
Porque fazemos a pessoa sentir que não tem motivos de sentir raiva e que isso não passa de uma frescura.
Porque se não eu for ignorado por conta destas palavras, vão tentar acalmar ou distrair-me e não acolher-me.
Porque a raiva exagera o isolamento que sinto.
Porque a raiva exagera os problemas e as situações.
Porque exagerando ou não, a raiva me sufoca quando a tento sufocar.
Porque pouquíssimos vão se permitir sentir-se identificados com isto e abrir os seus corações.
Porque sou apenas um ser humano que aprendeu a permitir-se sentir raiva e outras emoções.
Porque se a permitir, amanhã a raiva vai passar e eu vou voltar a rir.
Porque os que desconsideram a minha raiva hoje, amanhã vão rir ao meu lado e vão dizer: já viste, não havia motivos para estares com raiva!

Por isso, obrigado raiva por pelo menos tu estares aí e permitires que eu abra o meu coração. Raiva, hoje foste tu quem me deu esperança.


Por: L.P. Almeida (Akshar)
https://www.youtube.com/c/anandakshar
https://www.facebook.com/anandakshar/


Why am I so angry?
Because for a very long time, I didn't allow myself to be angry for fearing disapproval by the others.
Because the disapproval is what triggers these feelings of anger in me in the first place.
Because we live in a sick society in which emotions and feelings have no room, but stupid and limiting rules do.
Because I can't take so much hypocrisy and falseness in people anymore.
Because I can't understand, nor tolerate so much intolerance and hatred that we show to one another.
Because I am aware of the paradox in that last sentence and in life itself.
Because my anger is discouraged, devalued and disregarded by the ones I cherish the most.
Because people think it's normal that there is so much hate and that they feel shocked when someone thinks differently.
Because we have been conditioned to make ourselves smaller to please everyone but ourselves.
Because people already expect the worst from each other and get surprised when someone has hope.
Because I feel that I don't have permission to be myself except the one I give myself and it's sometimes not enough.
Because everyone is trying to change everyone else and we're all unhappy because of that.
Because we have a defeatist attitude towards life and we don't use our creative potential and the power of love so much.
Because we are a species that spits out promises of unconditional support and when we need it the most, the promise was already forgotten.
Because almost everybody is waiting for somebody else to change things and almost nobody sees that the change is in their hands.
Because we have lost the ability to empathize with others and to feel what they are feeling.
Because we act unconsciously breaking each others hearts.
Because we try to fix others and not embrace them.
Because we make people feel like they have no reason to be angry and that it's only a whim.
Because if I'm not ignored because of these words, they will try appease or distract me and not embrace me.
Because anger exaggerates the isolation that I feel.
Because anger exaggerates problems and situations.
Because exaggerating or not, the anger smothers me when I try to smother it.
Because only a very few people will allow themselves to feel identified with this and open their hearts.
Because I am just a human being who has learned how to allow himself to feel anger and other emotions.
Because if I allow it, anger will be gone tomorrow and I will laugh again.
Because the ones who disregarded my anger today, will laugh by my side tomorrow and will say: you see, there was no reason for you to be angry!

That's why, anger, thank you for at least being there for me and allow me to open my heart. Anger, today you are the one who gave me hope.

By: L.P. Almeida (Akshar)
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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Meditação com Sons

Hoje gostaria de partilhar uma técnica de meditação, que é uma ferramenta incrível para o dia-a-dia.

Usamos algo que está sempre disponível, de uma forma nova e criativa que nos energiza ao invés de nos roubar a energia: os sons.

É só seguires o link e desfrutar do vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=NznTWUBxUX8

Com Amor,
L.P. Akshar

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Racismo como Doença Espiritual

Olha para ti! Sim, para qualquer parte do teu corpo. Se tu achas que pela cor da tua pele, és melhor ou pior que alguém, então sofres da doença mais comum e mortífera da humanidade: a Doença do Ego. Não importa em qual dos extremos estás, a doença é igualmente avassaladora e destrutiva independentemente da tonalidade da tua pele.

Com a expansão e globalização dos meios de comunicação através das redes sociais, nunca ficou tão óbvio e assustador o quão racistas e intolerantes todos nós somos. Racismo de branco contra negro, de negro contra branco, branco contra branco, negro contra negro, árabe contra indiano, asiático contra negro, e acho que já dá para perceber onde eu quero chegar.

Sim, a história da humanidade mostra que alguns grupos étnicos foram - e continuam a ser - mais discriminados que outros, ou por outra, sofrem piores consequências através da discriminação racial do que outros. Sim, é preciso aprendermos a orgulhar-nos daquilo que somos e às vezes a defender os nossos interesses quando necessário. Contudo, o facto de eu ter que “diminuir” o outro para sentir o meu valor, é sinal de um profundo complexo de inferioridade em mim.

Se para que um indivíduo branco se sinta bem, precisa que as outras raças tenham menos valor, menos mérito ou menos registos de sucesso na história, eis a evidência do quão pequeno ele se sente. Se para que um indivíduo da raça negra se sinta bem, precisa que as outras raças (especialmente os brancos por causa da história opressiva) tenham menos valor, mérito ou menos registos de sucesso na histótia, eis a evidência que ele sofre da mesma doença. O mesmo para os indivíduos de qualquer outra raça não mencionada.

Antes de me expressar na qualidade de negro, algo que acho belo mas em nenhum caso melhor ou pior que os outros, expresso-me como ser humano. É com tremenda tristeza que assisto ao braço-de-ferro racial constante entre as pessoas - pessoas - tais como eu e tu - que enchem os peitos (e os dedos) para vomitar virtudes que supostamente pertencem mais à sua raça do que às outras.

Abre um pouco mais a tua mente. Sai um pouco da tua zona de conforto, onde só consegues ver aquilo que te foi imbutido na mente da mesma forma que se enche uma lata de lixo. (desculpa, mas é mesmo assim que funciona). Aprende a olhar para a vida com olhos frescos e a filtrar tudo aquilo que não beneficia a humanidade no geral. Na essência, os nossos valores essenciais estão relacionados ao carácter de cada um e não à sua aparência física ou pertença racial.

A história mostra indivíduos que fizeram acções boas e más em todas as raças e em circunstâncias algumas vezes parecidas, outras diferentes. Se tu realmente acreditas que alguém é necessariamente melhor por ser da tua raça, olha para os teus parentes, amigos e conhecidos da tua raça e pergunta-te: serão todos iguais e, por isso, melhores com os outros? Será que conheço todos ou a maioria dos indivíduos da minha raça ou estou limitado a uma amostra pequena com base na minha experiência pessoal de vida? Se realmente acreditas que alguém é necessariamente pior por ser da raça X, Y ou Z, pergunta-te: conheço todos ou pelo menos a maioria dos indivíduos daquela raça ou estou limitado à minha experiência pesssoal de vida?

Qualquer pessoa com o mínimo de humildade e sinceridade vai se aperceber - se ainda não se tinha apercebido - que a sua visão do mundo não é absoluta e é limitada pelas suas vivências pessoais. Mesmo aquilo que tu pensas que sabes que não é apenas pessoal, mas sim colectivo, faz parte daquilo que TU viste, ouviste, aprendeste ou viveste. Portanto, não é algo que abrange a toda a experiência da tua raça em todos os períodos e muito menos da humanidade no geral.

A questão aqui não é qual raça é melhor que a outra ou quem é mais racista que os outros. A questão é que sofremos de um complexo de inferioridade profundo e muitas vezes dissimulado e inconsciente que nos obriga a comparar-nos uns com os outros para que nos possamos sentir melhor connosco. O melhor a fazer quando se descobre uma doença é procurar tratamento e não apontar a doença dos outros e esperar que a nossa doença seja milagrosamente tratada com essa atitude.

Somos todos tão intolerantes! Se não somos intolerantes perante as caraterísticas físicas e mentais dos outros, somos intolerantes perante a intolerância dos outros a essas características. Consegues ver? Não faz sentido dizer que a intolerância X é melhor que a intolerância Y. Intolerância é intolerância. Reconhecendo e admitindo esse facto, podemos fazer algo em relação a ele.

Olha de novo para ti e vê a beleza, unicidade e o milagre da tua existência. Nunca existiu ninguém exactamente como tu e nunca existirá ninguém exactamente como tu. Tu já és especial! Não precisas provar que és melhor que os outros, mas também não há razão alguma para te sentires inferior a ninguém. Sei que já te sentes superior às vezes e inferior às vezes por um motivo ou por outro, mas lembra-te: não estás sozinho nessa doença espiritual e o tratamento está disponível a cada um de nós e chama-se CONSCIÊNCIA.

Ganhando consciência de quem tu és, do incrível  milagre que tu és, não terás mais a necessidade de te comparares a quem quer que seja e reconhecerás o incrível milagre que os outros são. Assim poderás reverter a energia que desperdiças nos outros e canalizá-la de modo a criar uma melhor vida para ti e para todos. Agora é a hora de acordarmos, somos todos partes do mesmo oceano e quando manchamos uma parte do oceano com intolerância e sangue, manchamos o oceano inteiro. Desperta e lembra-te que a mudança começa contigo!


Por: L.P. Almeida (Anand Akshar)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Novos e ricos textos em breve!

New and rich texts coming soon!

Neue und reiche Texte bald!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Quem estiver interessado em temas de  auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, pode entrar neste canal do youtube e assistir a estes varios vídeos sobre vários tópicos.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Convite a uma sessão de Meditações Activas

Queridos amigos,

Estão convidados a participar no workshop de Meditações Activas OSHO e Técnicas de Consciência com o tema: "O despertar da Energia".



O evento vai se realizar no NOVO ENDEREÇO do Centro Kosmoz, Avenida Elias Lucas Kumato 33, no Bairro da Sommerschield, perto do Jardim dos cronistas (restaurante italiano Campo di Fiori), no dia 25 de Julho de 2015, SÁBADO. Das 9h-13h com uma pausa no meio acompanhada de um pequeno lanche oferecido por nós.

Para poder participar no evento os requisitos são os seguintes:
* Investimento (contribuição para as despesas de realização) no valor de 900mts por participante para apenas este evento ou OPCIONALMENTE 1500mts para pagar directamente dois (2) eventos - pode-se pagar em qualquer dia antes do evento no Centro Kosmoz (endereço acima) ou no próprio dia do evento.

* Ser maior de 18 anos ou ter uma autorização dos pais/encarregados de educação.

* Se disponíveis: Uma esteira de ioga e uma venda.

* Uma mente e um coração abertos.

A experiência OSHO é para todos aqueles que desejam viver uma vida plena, feliz, pacífica, autêntica, saudável, equilibrada e acima de tudo consciente. NÃO é preciso ter nenhuma experiência prévia com meditação para poder participar.

Para mais informações sobre Osho e as meditações activas no geral, visitem http://www.osho.com/pt, para informações sobre OSHO Maputo, sobre o evento ou as massagens, entrem em contacto, por favor, através de oshomaputo@gmail.com ou (+258) 849010811. Façam também like da nossa página do Facebook: http://www.facebook.com/oshomaputo para estarem sempre actualizados sobre os  eventos Osho em Maputo e para receber informações e citações do Osho sobre vários assuntos.


Com Amor,
Luís Paulo (Akshar)